Posts

Empresas mineiras não devem exigir atestado médico de empregados ausentes por conta do coronavírus

No dia 20 de março, a juíza Clarice dos Santos Castro, titular da 30ª Vara do Trabalho de Belo Horizonte (MG), concedeu liminar determinando que os empregadores vinculados à Sinduscon-MG, Fiemg e Fecomercio-MG não exijam atestado médico de seus empregados, nos casos de eventuais ausências ao serviço por motivo de doença, para fins de manutenção salarial, enquanto durar a situação de emergência decretada em razão da pandemia do coronavírus.

A ação civil pública foi ajuizada pela Prefeitura de Belo Horizonte. De acordo com a magistrada, todos os estabelecimentos que dispuserem de serviço médico próprio ou através de convênio estão dispensados da obrigação de cumprimento dessa medida liminar.

Isolamento

A juíza chamou a atenção para a recomendação médica de que pessoas assintomáticas ou que não estejam com sintomas mais graves da doença não procurem atendimento médico em hospitais ou postos de saúde, públicos ou privados. De acordo com os especialistas, é fundamental a permanência em isolamento domiciliar, pois, caso contrário, comprometeria os próprios serviços oferecidos pelos profissionais de saúde.

Para a magistrada, gera preocupação o fato de diversos empregados da iniciativa privada estarem se encaminhando aos estabelecimentos de saúde para procurar atendimento, sem sequer apresentar sintomas aparentes da doença e com o único intuito de adquirir atestados médicos abonadores de faltas.

Conforme ponderou a magistrada, essa atitude é preocupante, em primeiro lugar, porque afeta todas as pessoas potencialmente sujeitas à disseminação do vírus, e que, eventualmente, poderão precisar de atendimento médico quando a gravidade da situação, de fato, o exigir.

Em segundo lugar, ela ressaltou que os empregados que não obedecerem à orientação amplamente difundida podem se expor a risco iminente e também sujeitar ao mesmo risco outras pessoas que com eles tiverem algum tipo de contato, após o comparecimento no estabelecimento de saúde.

Bom senso

A juíza salientou que o direito à saúde é fundamental e que que todo empregado que se ausente do serviço por motivo justificado tem direito de apresentar atestado médico. Entretanto, é preciso evitar o colapso dos setores públicos e privados de saúde, que, em razão da necessidade e obrigação legal de realizar atendimentos desnecessários em sua grande maioria, teriam a capacidade de seus serviços excedida, resultando na ineficiência do combate que se espera de todo o setor médico e afins em face das consequências reais do surto de coronavírus. “O momento exige medidas extremas do Poder Público e bom senso de cada cidadão”, finalizou.

 

Fonte: AASP

O Home office e o compliance trabalhista

Em tempos de quarentena, muitas empresas vem adotando o trabalho remoto como forma alternativa de manter suas atividades.

E, após uma ou duas semanas de trabalho, começaram vários questionamentos, tanto da parte do empregado como da parte do empregador.

Pelo empregado, dúvidas acerca de possível violação de sua intimidade, como o controle por câmara, obrigatoriedade de vestimentas, aparência, etc.

Pelo empregador, determinados comportamentos, como usar o equipamento da empresa para assistir filmes, uso pelos filhos para aulas on-line, aparência, vestimenta e interferência do cotidiano familiar (filhos, cachorros, etc) nas chamadas por vídeo e respostas de e-mail além do expediente.

E o que tudo isso tem a ver com o compliance trabalhista?

Uma das medidas do compliance é a realização de políticas internas para esclarecer quais são as regras para determinadas questões específicas.

Portanto, temos aconselhado nossos clientes a adotarem, além do aditivo contratual do trabalho remoto, a realização de política de home office, para estabelecimentos de critérios claros e objetivos do que pode ou não ser feito nessa forma de trabalho.

Desta forma, evitam-se não só situações constrangedoras, mas também conferem às empresas mais amparo em eventuais sanções, uma vez que as regras estão claras e informadas aos funcionários. Saímos do campo do esperado e entramos no campo das regras empresariais.