Um olhar atento pode salvar vidas – a importância dos líderes para a saúde mental de seus colaboradores

Em homenagem ao Setembro Amarelo, campanha instituída para valorização da vida e prevenção ao suicídio, abordaremos aspectos jurídicos e médicos sobre como as empresas poderão auxiliar seus funcionários em prol da saúde mental.
Neste artigo, contamos com a participação especial da psicóloga Dra. Corinna Schabbel, PhD em Desenvolvimento Humano e Organizacional pela Fielding University, na Califórnia, Mestre em Desenvolvimento Humano pela mesma Universidade, mediadora e consultora em Gestão de conflitos corporativos.

Um dos grandes legados negativos da pandemia é a piora na saúde mental das pessoas. Durante este período, que já dura mais de um ano, de acordo com o Instituto Ipsos, 53% dos brasileiros declararam que a saúde mental piorou em algum nível em virtude das mudanças das condições de vida provocadas pelo trabalho remoto, isolamento social, entre outros.

Considerando que os profissionais passam grande parte do dia dedicados às atividades corporativas, como as empresas podem auxiliar seus colaboradores na melhora efetiva da saúde mental?

Sob o ponto de vista jurídico, é aconselhável que as empresas incluam, em suas normas internas, treinamentos para combate de práticas abusivas e excesso de trabalho, com vedação expressa de metas impossíveis de serem batidas ou com excessiva pressão para que os colaboradores atinjam resultados pretendidos.

É importante que tal prática não seja apenas “para inglês ver”, mas sim colocada em prática, com fiscalização e mecanismos de controle. O canal de denúncias é uma ótima ferramenta nesse sentido, desde que haja uma efetiva investigação. Uma vez averiguado e detectado algum comportamento reprovável, deve-se haver punição rigorosa, não só para inibir a prática, como para desestimular outras similares.

Treinamentos para os gestores acerca de comunicação não violenta ou específicos sobre danos morais são essenciais para que os colaboradores vejam nas empresas um canal de suporte e não agravamento da saúde mental.

Semanalmente são divulgadas matérias noticiando a condenação de empresas em danos morais, seja por assédio, práticas abusivas ou discriminatórias. Além da questão financeira, a imagem da empresa é extremamente afetada, ponto que leva inclusive à perda de futuros investimentos e grandes talentos.

Uma postura passiva da empresa, de alegar o não conhecimento dos fatos, é prática não só ultrapassada, mas vista como negligência, sendo um dos principais pontos em condenações judiciais. Além de garantir melhores condições de vida e de trabalho aos colaboradores, a implementação e comprovação de políticas ativas na preocupação da saúde mental dos trabalhadores podem amenizar condenações e até absolver empresas
É importante ter em mente que CNPJ’s são feitos de CPF’s. Quanto mais saudáveis seus colaboradores estiverem, mais rentável será o negócio.

Sob o aspecto da saúde e gestão de pessoas, há estudos que comprovam que a felicidade impacta diretamente nos resultados do trabalho. Definir felicidade não é uma tarefa simples, já que se trata de uma deliberação pessoal. Contudo, uma liderança responsável que dê condições adequadas para que uma pessoa se sinta pronta em busca da própria felicidade será a maior tarefa do Chief Happinesss Officer (CHO) ou gestor executivo da felicidade, responsável por catalisar as inciativas de bem-estar na organização.

Os investimentos na saúde coletiva que oferecem oportunidades de atendimento psiquiátrico e psicológico por plataformas de saúde têm mostrado o quanto os transtornos de ansiedade e depressão aumentaram sensivelmente. Os transtornos são percebidos, principalmente, em populações mais vulneráveis que sofrem de problemas financeiros, consumo de álcool, isolamento, solidão, luto e violência na família.
Os profissionais dos serviços de saúde mental, como psiquiatras, psicólogos, terapeutas familiares e assistentes sociais garantem a ajuda aos pacientes cuja vida já não faz mais sentido, seja pela exacerbação da sensação de medo ou o aumento do sentimento de solidão.

Um líder atencioso, que enxerga sua equipe por inteiro, pode ser capaz de identificar comportamentos de um colaborador com a saúde mental fragilizada. Um olhar atento pode salvar vidas.