O setor de construção civil, vital para o desenvolvimento econômico do país, enfrenta um cenário de complexidades e desafios em suas relações trabalhistas.
Para inaugurar a segunda temporada do videocast Trabalho em Foco, nossas sócias Valéria Tironi e Carolina Figueiredo receberam Thainá Bergara Devechio, Diretora Jurídica da Deveck Construtora e Incorporadora, e Juliana Cabloco E Silva, Vice-Presidente da S. Pontes Construtora, para uma conversa sobre as particularidades desse mercado.
Com a vasta experiência das duas empresas (o Grupo Deveck na incorporação imobiliária e a Construtora S. Pontes na construção pesada e infraestrutura), as convidadas contribuíram para um panorama completo sobre como a qualificação, a terceirização e a ética são cruciais para o sucesso no setor.
O desafio da mão de obra e a busca por qualificação
Um dos pontos centrais da discussão foi a dificuldade de encontrar e reter mão de obra qualificada, as convidadas concordaram que essa é uma realidade não exclusiva da construção civil, mas que afeta significativamente o setor. A escassez de profissionais com conhecimento técnico, de pedreiros a eletricistas, é um obstáculo constante.
Além de recrutar, a retenção de talentos é outro fator crítico, impactado por uma alta rotatividade de trabalhadores.
Juliana destacou que, por vezes, a falta de retenção se deve a fatores externos, como a busca por benefícios sociais ou a possibilidade de escolher onde trabalhar em um mercado tão carente.
No entanto, ressaltou a importância de criar uma cultura de crescimento: “Eu tenho funcionários que começaram como ajudantes, carregando ferro nas costas e hoje são engenheiros da empresa. Porque acreditaram, porque batalharam, porque correram atrás, tiveram iniciativa”.
Terceirização inteligente e a vantagem da especialização
Explorando as diferentes modalidades de contratação no episódio, Thainá explicou que o Grupo Deveck opta pela terceirização não por uma questão de custo, mas pela especificidade do serviço.
“Uma empresa que só faz isso… ela foca para que aquele colaborador faça exatamente aquilo com excelência”. Serviços como fachada e estrutura, que exigem especialização e não são necessários o tempo todo na obra, são ideais para a terceirização, o que também minimiza o retrabalho.
A conversa também abordou o alto risco da informalidade, com ênfase para o cenário da Juliana, em que a Construtora S. Pontes não contrata autônomos ou prestadores informais, devido ao grande risco envolvido. “Uma multa contratual de um contrato, por exemplo, no metrô de São Paulo, pode quebrar uma empresa”.
A legislação de terceirização, mais rigorosa desde 2017, tornou a fiscalização da empresa contratante mais intensa, exigindo que a documentação dos prestadores seja impecável.
A Construtora, por exemplo, tem uma equipe dedicada a subir documentos para comprovar que segue todas as normas. A ética no cumprimento das normas e a responsabilidade social são vistas como um diferencial competitivo, que atrai e retém profissionais. Como a vice-presidente resumiu, “o funcionário tem que ter orgulho da empresa que trabalha, e ele só vai sentir esse orgulho se ele tiver certeza que é uma empresa séria, correta e ética”.
Tecnologia e compliance: segurança na gestão
A tecnologia, como apontado pelas especialistas, é uma ferramenta essencial para a gestão segura das obras. O uso de sistemas de gestão de documentos (SGR) permite o controle eletrônico da documentação trabalhista, como exames médicos e certificações, garantindo que tudo esteja em conformidade com as exigências legais.
Essa gestão digitalizada assegura o cumprimento das normas de segurança do trabalho e das Normas Regulamentadoras (NRs), fundamentais para a prevenção de acidentes.
Assista agora:
Construindo o futuro do setor: a advocacia na prevenção de riscos
Ao longo desse piloto da temporada, destacou-se o papel estratégico da consultoria jurídica. A advogada trabalhista, como afirmou Thainá, atua na prevenção, identificando e corrigindo riscos que poderiam gerar passivos trabalhistas significativos. Essa parceria entre as empresas de construção e o jurídico é vista como uma forma de “organizar a casa” e garantir a conformidade em todas as etapas do projeto, evitando surpresas indesejadas.
Como ressaltou Valéria Tironi no episódio: “O advogado tem que ser visto como um parceiro de negócios, não só pra resolver o passivo, mas pra ter um diagnóstico e evitar que ele ocorra”.
A construção civil, portanto, não se sustenta apenas com tijolos e concreto, mas com a solidez de suas relações de trabalho.
Investir em qualificação, em modelos de contratação transparentes e em uma cultura de conformidade e ética é o alicerce para construir um futuro próspero e seguro no setor.
O Ovidio Collesi Advogados atua como um parceiro estratégico para as empresas, oferecendo soluções preventivas e inovadoras em compliance trabalhista, gestão de riscos e estruturação de políticas internas.
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