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Tendências Trabalhistas 2026: os novos desafios do mundo empresarial em transformação

17/03/2026

O crescimento acelerado de microempreendedores e pequenos empresários no Brasil não representa apenas um movimento econômico, sinaliza uma mudança estrutural nas relações de trabalho. 

Com mais pessoas empreendendo, novos modelos de contratação surgem, a tecnologia avança rapidamente e as empresas passam a lidar com desafios que vão muito além da gestão tradicional de equipes. 

Foi nesse contexto que nossa sócia Paula Collesi recebeu Marco Vinholi, administrador e diretor técnico do SEBRAE, no novo episódio do Trabalho em Foco. A conversa percorreu os principais temas que devem impactar o ambiente empresarial em 2026, e tratou dessas tendências, embora distintas, estão conectadas por um mesmo eixo: transformação. 

 

Transformação digital: entre oportunidades e riscos 

A digitalização ampliou o acesso à informação, reduziu custos e democratizou ferramentas antes restritas a grandes empresas, mas, em contrapartida, trouxe riscos que muitos pequenos e médios empreendedores ainda não dimensionaram. 

A LGPD ainda representa um campo de amadurecimento para parte significativa das empresas. Situações rotineiras, como o envio de atestados médicos por WhatsApp, o uso de equipamentos pessoais no home office ou o compartilhamento de dispositivos com familiares, envolvem dados sensíveis e podem gerar passivos trabalhistas e reputacionais. 

Paula destaca que o desafio não está apenas na norma, mas na prática: “A empresa precisa entender como essas informações estão sendo tratadas internamente e quais riscos o uso inadequado pode gerar.” 

Além disso, há um ponto relevante sob a ótica processual: quando comunicações são realizadas por meios pessoais e o vínculo se encerra, a empresa pode perder acesso a provas importantes em eventual litígio.  

Tecnologia, governança e cultura organizacional passam, portanto, a caminhar juntas. 

A consolidação do modelo híbrido é uma realidade em muitas organizações, mas ainda gera desafios jurídicos e operacionais.  

Embora seja difícil retroceder ao modelo exclusivamente presencial, o trabalho remoto trouxe novas zonas de risco: mensagens fora do horário, ausência de fronteiras claras de jornada, uso compartilhado de dispositivos e fragilidades na segurança da informação. 

Cada empresa possui uma dinâmica própria, mas o ponto comum é a necessidade de estabelecer políticas transparentes e limites bem definidos.  

Flexibilidade não significa ausência de regra, exige, na verdade, maior maturidade organizacional. 

A Inteligência Artificial já está presente nos processos de recrutamento, no monitoramento de desempenho e na gestão estratégica de pessoas.  

O desafio, segundo Marco Vinholi, é garantir que essa tecnologia seja compreendida e acessível: “É um mundo em transformação e a chave é a qualificação.” 

Empresas que utilizam a IA de forma estratégica conseguem ganhar eficiência e vantagem competitiva. No entanto, a democratização da ferramenta exige treinamento acessível, conhecimento técnico e compreensão dos impactos éticos e trabalhistas envolvidos. 

Paula amplia a reflexão ao apontar que a grande questão para o Direito do Trabalho está na qualificação profissional. Trabalhadores com menor preparo tendem a ocupar funções cada vez mais básicas, o que pode aprofundar desigualdades sociais. 

Nesse cenário, empresas e Estado precisam atuar de forma complementar para fomentar capacitação contínua e inclusão tecnológica. 

 

Escala 6×1: produtividade, competitividade e sustentabilidade econômica 

A discussão sobre a escala 6×1 tem ganhado espaço no debate público e empresarial, no entanto, o tema não pode ser analisado apenas sob a ótica da jornada de trabalho, envolve produtividade, custo operacional, competitividade e sustentabilidade econômica. 

Marco alerta que decisões estruturais dessa natureza não podem ser tratadas de forma uniforme: “Não seria bom para o país que essa decisão fosse imposta de forma imediata. Cada empresa e setor têm sua realidade.” 

Setores com margens reduzidas ou alta dependência operacional podem enfrentar impactos significativos. Em muitos casos, a empresa até absorve parte do custo inicial, mas ele inevitavelmente repercute no preço final ao consumidor. 

Para o ambiente empresarial, a grande questão é previsibilidade. Mudanças abruptas e descoladas da realidade setorial podem gerar retração, fechamento de postos de trabalho ou até encerramento de atividades. 

Mais do que um debate ideológico, trata-se de um tema econômico que exige diálogo técnico e análise concreta de impacto. 

O Direito do Trabalho, nesse cenário, precisa equilibrar proteção social e viabilidade empresarial, dois pilares que não podem ser dissociados. 

 

Riscos psicossociais e saúde mental nas empresas 

A saúde mental tornou-se um dos principais fatores de afastamento no país, especialmente após a pandemia de COVID-19. 

Embora normas regulamentadoras não diferenciem empresas por porte, muitas pequenas e médias organizações ainda não incorporaram a gestão de riscos psicossociais à sua estratégia interna. 

Vinholi observa que, em meio à Reforma Tributária e às exigências fiscais, temas emocionais acabam ficando em segundo plano. No entanto, um dos principais fatores de estresse no ambiente corporativo é o endividamento, questão que impacta diretamente produtividade, clima organizacional e desempenho. 

Os dados sobre afastamentos por transtornos mentais são alarmantes e exigem atenção estratégica, pois risco psicossocial não é apenas humano é também econômico. 

 

Geração Z, propósito e a redefinição do vínculo tradicional 

A entrada da geração Z no mercado representa uma mudança de mentalidade.  

Para esses jovens, trabalho não é apenas estabilidade financeira, mas propósito, alinhamento de valores e qualidade de vida. A escolha por uma empresa pode estar relacionada à sua posição em temas como sustentabilidade, impacto social e cultura organizacional. 

Esse comportamento ajuda a explicar o crescimento do empreendedorismo e a redução do interesse pelo modelo tradicional celetista, já que há uma busca clara por autonomia e flexibilidade. 

Contudo, como destacou Marco, o ambiente digital também influencia expectativas muitas vezes distantes da realidade prática. Narrativas de sucesso acelerado e independência financeira podem levar a decisões pouco estruturadas. 

Esse perfil mais autônomo se conecta diretamente ao crescimento da pejotização e de modelos contratuais flexíveis.  

Para as empresas, o desafio é duplo: adaptar modelos de gestão para engajar essa geração e, ao mesmo tempo, garantir segurança jurídica nas relações estabelecidas. 

A transformação cultural é inevitável e as organizações que compreenderem essa mudança estarão mais preparadas para atrair e reter talentos. 

 

Pejotização, autonomia e segurança jurídica 

Como reflexo desse novo cenário, surge a pejotização e, com isso, Paula provoca a reflexão: “Se a pessoa foi contratada em determinado modelo e tinha plena ciência das condições, como reconfigurar essa relação anos depois?” 

Ao mesmo tempo, o fenômeno exige cautela, a ausência de regulamentação clara pode gerar insegurança jurídica e desproteção social. 

Marco destaca que o país vive um momento de transição, especialmente com a rReforma Tributária em vigência, o que amplia dúvidas e impactos para empresários. 

Outro ponto central é a responsabilidade previdenciária do profissional que opta por atuar como pessoa jurídica:. sem contribuições adequadas (seja como MEI, via DAS ou pró-labore) situações como doença, invalidez ou licença-maternidade podem gerar prejuízos significativos. 

Um contrato de prestação de serviços bem estruturado funciona como instrumento de previsibilidade e proteção para ambas as partes e a autonomia exige responsabilidade. 

 

Um cenário integrado: estratégia como diferencial 

Embora os temas abordados no episódio pareçam diversos, LGPD, Inteligência Artificial, trabalho híbrido, escala 6×1, saúde mental, geração Z e pejotização, todos convergem para uma mesma realidade: o modelo tradicional de relações de trabalho está sendo tensionado por transformações tecnológicas, econômicas e culturais. 

Para o Ovidio Collesi Advogados, esse cenário reforça a importância da atuação consultiva e preventiva.  

Antecipar riscos, estruturar contratos adequados, revisar políticas internas e orientar empresários sobre impactos regulatórios é o que permite atravessar esse período de transição com segurança. 

2026 representa a consolidação de um novo paradigma nas relações de trabalho. 

Confira ao episódio completo no YouTube e aprofunde-se nessa discussão:

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